AFINAL, QUE SILÊNCIO É ESSE SILÊNCIO?
Aprendi que algumas formas de silêncio são, na verdade, geniais. Mas há outras que preocupam. E destas, é que pretendo falar neste pequeno texto.
Quando a gente vive em uma sociedade onde não há contraposição de ideias, e onde as divergências de pensamento não se tornam públicas, parece prudente que a gente busque, como ato de responsabilidade coletiva, clareza quanto ao que, afinal, está acontecendo. Em cenários como o que apresento, é urgente que descubramos que fios “adoeceram” no tecido social. Posso garantir, tomando como referência episódios históricos, que onde reina esse silêncio coletivo, acachapante, sepulcral – como o que estamos ouvindo - pode haver também um mal tremendo, ”comendo pelas beiradas”, daqueles que querem, a todo custo, se perpetuar. Todos sabemos que por mais que um gestor público realize, por mais que seja bem-intencionado, esse gestor nunca terá uma aprovação que beire à unanimidade, gerando esse silêncio que tem claros sintomas de "dominação". Nem Jesus Cristo, que não foi um controlador, conseguiu tal hegemonia. Portanto, se ninguém abre a boca, se ninguém fala mal, se os aparelhos sociais e os formadores de opinião simplesmente recolhem-se, silenciam-se, é porque existe um forte esquema (alimentado por estranhezas) que cuida de acimentar a boca dos insatisfeitos.
Mas, por favor, não acreditem!
Não está tudo bem.
Não levem em conta aquilo que os “servidores da mentira” apressam-se em dizer, decretando que não há insatisfação na cidade. Há insatisfação na cidade, sim! Aqui, ali, acolá. E a insatisfação, como uma serpente revoltosa, espera apenas que surja alguém com capacidade de organizá-la, de lhe dar forma, conduzi-la até as ruas e oferecê-la aos eleitores, a exemplo da vacina que, normalmente, se faz do veneno.
E mais: na ponta das tantas mentiras que se orquestram, alimentando outra mentira terrível, estão aqueles que se dizem vitoriosos antes mesmo do embate, que se declaram merecedores do pódium ainda que o "jogo" não tenha acabado. Esses caras estranhos, bobos da corte, cuja única obra na vida é gargantear o reinado que nem é seu, plantam informações convenientes: “Já ganhamos”!
Ganharam, qual nada.
Esta velha e manjada manipulação, na verdade, é o sinal de que eles estão é “mijando pernas abaixo” e tentando, desta forma, tamponar a boca dos oponentes para que a verdade não se prospecte. Também é possível que estejam tentando fazer com que você e eu multipliquemos a falsa ideia de que “ninguém pode com eles”, de que são invencíveis. Portanto, atentemo-nos! A sociedade não pode permitir que a repetição cega da mentira (financiada pelos velhos e novos coronéis) vire verdade da qual “não precisamos” neste momento da História local.
Tenhamos, pois, uma coisa na cabeça: Eles não ganharam "coisa alguma"! E esta é a única forma de violência que a sociedade pode produzir: a violência civilizatória do pensar diferente, do resgatar o seu direito de dizer: “Não acredito. Sou de outra turma. Pertenço a outra tribo. Voto no outro”.
E eu, posso lhes adiantar – embora não tenha bola de cristal – que não acredito, não acredito mesmo, que “eles” já venceram.

